quinta-feira, 24 de maio de 2012

Nas curvas de jampa

"Admito. Sou refém da novidade
Acabo me movendo com o imprevisto
Procuro não entendê-lo
E acabo funcionado do seu jeito
Para mim a surpresa é a realidade curta
Vira e mexe aparece uma
Não solto, me prendo e esqueço o mais do mesmo
Sempre espero que reapareça de repente e me contagie
Para me entregar ao melhor dos acasos
Mas, por favor,
Não suma por muito tempo
Não me deixe sozinho
Pois me esqueço do mesmo jeito que sou surpreendido
Fico preso ao seu carinho até chegar ao seu limite
Não vou segurar a mesmice
Deve ser só para gente, até quando a gente quiser
E te deixo solta quando não precisares mais de mim..."

segunda-feira, 12 de março de 2012

Sinônimo

“...Só posso definir você...
...como uma poesia
Que se perde nas curvas do irregular
Bem... É como a amizade
Nunca é linear... mesmo sendo curta
Passa por percalços tão fúteis e o pior.. até damos importância
Delibero você como um imprevisível
É a abordagem incompleta, é a frase inacabada
É de múltipla interpretação
É como a literatura.... feminista e indefinida
É o simplório do belo
Você é a metade do verso, sem fim
É um cheiro do poema de pouca palavra
É a inconstância feminina
És inspiração negligenciada
A imprecisão do vocábulo
O ateu da razão
Eis o poema, eis ti...”

quinta-feira, 8 de março de 2012

Gosto

“A boca.... se perde na seca da falta de outra
E se racha na ambição de um lábio que molha, rega, morde...
Não esconde a vontade de se envolver no gosto
Mira o teu paladar e se aconchega com a tua saliva
E quando prova, deslembra o escasso e se mistura com o esquecimento
Na hora do toque o que pensou, deixou de ser
Ela se perde no infinito do céu do desejo
E sabe que o sabor não acaba quando a distância corre
Ela só aumenta a fissura e procurar entender...
...que só nos teus lábios esquece-se da tristeza, da angústia e do anseio
Porque quando toco tua boca morena, ela dá um nó no tempo e me perco no imenso, interminável e indefinido prazer...”

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Na luz somos um!

In Memorian (NANDA)





Sorrir. Como se fosse o último dia. Ou o recomeço do fim.
Pois ser feliz é estar em paz em si mesmo.
É sentir saudade.
É mostrar-se, não esconder-se.
É viver e reviver.
Não só na carne, mas na lembrança.
Do que ainda não foi, e que não apaga.
É a falta com a presença.
É o sentir sem ver.
É lembrar e nunca esquecer.
É trazer de volta com alegria.
É relembrar sem tristeza.
Sem rancor, sem ironia.
É citar a nostalgia em verso.
É a poesia sem melancolia.
É o desconcerto do erro
É o advir do carinho.
É de todos nós.
Em vida, em passagem, em eternidade
Onde o espiritual é maior que o físico, é menor que a falta e igual ao amor.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Renouvellement de l’amour

...Pouco adianta prometer o melhor
Pois se te vejo em qualquer poesia
Se te clamo em alguma minúcia
Se te desejo de todo modo
O presságio é mera inspiração

Não anseio pela distância
Apego-me em pouco verbo
E não recomendo adjetivo

Desfaço a cobiça
Rejeito a ambição
Desprendo a pretensão

O antigo amor então renova-se:
pouca frase,
menos citação
escassa recriação

A afeição é reconstruída com simplicidade inesperada
sentimento bucólico
preciosa inocência

É o nosso carinho transformado em monotonia!

Ele é o dia-a-dia..... atenção... prosa
É o agrado que não se perde... se mantém... valoriza
É o afago passado que se equipara ao presente
É a mesmice amorosa
É o avesso do improviso
É o simples..... sincero


Sinteticamente, a novidade passa longe da gente
A nostalgia? É o hoje.
Somos um amor renovado com o mesmo carinho
Que sempre nos encanta
E é desse jeito que visto o meu “traje” de sempre teu...

sábado, 9 de abril de 2011

Auto Controle

....Acho que consigo escrever algo sem falar de você.
Já tenho vários planos arquitetados.
Muitas idéias que ajudam a desconstruir a sua imagem.
Não me prendo mais em cada pormenor teu.
Agora escrevo em prosa sem rima, simetria e harmonia.
Desfaço qualquer laço, desprendo a agonia.
Penso em desdizer tudo em poucas palavras.
Fico frio, insensato, calado....
Eu tropeço, disperso e contesto cada esboço.
Procuro não achar, nem ao menos submergir.
Fujo do proveito e expulso a fantasia.
Seguro a razão como se fosse um troféu.
Ufa!
Não perco o tempo com suas confusões.
Despeço-me de surpresa, e não procuro reaparecer.
O sentimento se escondeu, não tenho nem pista.
Perdeu-se no anseio da liberdade.....

fim dos poemas...

esqueça as palavras
assassine os versos
seqüestre e esconda as rimas
e tome a atitude num gole seco sem pensar no que n foi!