segunda-feira, 22 de junho de 2009

SHARAPOVA por André Muhle (proncuncia-se "Múli")

obs: n q eu concorde com a rotina....mas é lindo e da uma certa vontade de nao inovar....rsrsrs

Se você abrir qualquer Cláudia, Contigo ou Marie Claire,
e procurar pela palavra "rotina", vai perceber que
quase em 100% dos casos, ela vem junta de expressões como:
"fim do casamento", "preciso de um amante" ou
"não sei mais o que fazer, por favor me salvem".
Mesmo que você nunca tenho lido nenhuma das três revistas,
(e eu espero muito que esse seja seu caso),
sabe bem do que estou falando.
Para 93,72% das pessoas, "rotina" é sinônimo de coisa ruim.
Existem 1674 livros com a frase "Saia da rotina e vença".
3 em cada 7 mulheres usam a pobre da rotina como desculpa
para se separarem dos maridos.
Mas, apesar de todos esses números impressionantes,
eu acredito que poucas coisas na vida
sejam tão belas quanto a rotina.
Eu dormir com a Sharapova todos os dias, por exemplo,
seria uma rotina.
E quem em sã consciência chamaria isso de uma coisa ruim?
A rotina é um bem necessário ao ser humano.
Kurt Cobain e Sylvia Plath se mataram por falta dela.
Mas vamos voltar ao exemplo da Sharapova.
Aquela tenista loira, russa, alta, loira,
das pernas grossas, rica, loira
simpática, elegante e loira.
Se eu durmo com a Sharapova todos os dias,
isso vira uma rotina, certo?
E exatamente por virar uma rotina, eu talvez,
acabe não dando o valor que merece.
Afinal eu dormi com ela ontem, vou dormir hoje
e, provavelmente, também dormirei amanhã.
Mas no dia que eu passar a não dormir com a Sharapova
eu sentirei uma falta enorme dela e, quase certeza,
vou valorizá-la de uma forma que nunca tinha feito antes.
É pra isso que serve a rotina.
Pra que a gente só saiba o que é ruim
depois de perder o que era bom.
Ter minha mãe em casa, todos os dias, era um rotina para mim.
E agora, que já não tenho mais isso,
parece que a amo cada vez mais.
É a falta da rotina que faz ex namorados sofrerem por tanto tempo. Até que a solidão, que até então era novidade, passe, com o tempo, a ser a sua nova rotina. E aí, quando estiverem novamente namorando, sentirão falta do tempo
em que eram solteiros.
É difícil de explicar, mas juro que é assim que acontece.
O mais triste de tudo é que a gente só percebe o valor da rotina
depois que ela deixa de ser, obviamente, uma rotina.
Quando você vai morar no exterior por exemplo,
você não sente falta do Cristo Redentor, do Masp
ou muito menos do Morro do Careca.
Sente falta do suco que sua mamãe fazia no café da manhã.
Sente falta do buraco na rua que,
todos os dias, você caia com o carro.
Mesmo estando cansado de saber que ali tinha um buraco.
As coisas pequenas, quando viram rotinas, se tornam enorme.
E, ao contrário da Cláudia, da Contigo e da Marie Claire,
eu prefiro acreditar na rotina como sendo algo essencial
para nossa evolução e para nossa vida.
Pra terminar, um trechinho de um comercial que vi dia desses:
A ideia é a rotina do papel. O céu é a rotina do edifício.
O início é a rotina do final. A escolha é a rotina do gosto.
A rotina do espelho é o oposto.