Se voce quer que eu diga sempre a mesma coisa
Para te contentar ou para fingir que estamos bem
Entao recuse as frases feitas
Os mesmos digitos
O igual artefato
Vou recusar de elogiar tanto o apreço
Esqueçer do dito ditado
E das citaçoes perfeitas
Já não tem mais graça retratar o primoroso
Não sinto vontade de agraciar o mesmo gosto
O gosto pela mesmice
A cobiça por um bel-prazer
O desejo inquestionável
A aspiraçao e inspiraçao pela certeza
A vontade é jogar o atual pelo avesso
De apagar um ano e voltar ao começo
O começo da incerteza
O principio do inesperado
A dúvida do apego era mais admiravel
E espantado, apaixonado e surpreendente
Hoje vivo na confiança de algo finito
Que parece linear e conclusivo
Não vim aqui para dizer o que sinto
Vim expressar o que eu não sigo
Relatar o que não é voce
Para não se tornar acabado
Domesticado
Afundado
E consumido
Afinal, o pra sempre é só eterno enquanto o incerto nunca descansa