segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Pra sempre

Se voce quer que eu diga sempre a mesma coisa
Para te contentar ou para fingir que estamos bem
Entao recuse as frases feitas
Os mesmos digitos
O igual artefato
Vou recusar de elogiar tanto o apreço
Esqueçer do dito ditado
E das citaçoes perfeitas
Já não tem mais graça retratar o primoroso
Não sinto vontade de agraciar o mesmo gosto
O gosto pela mesmice
A cobiça por um bel-prazer
O desejo inquestionável
A aspiraçao e inspiraçao pela certeza

A vontade é jogar o atual pelo avesso
De apagar um ano e voltar ao começo
O começo da incerteza
O principio do inesperado
A dúvida do apego era mais admiravel
E espantado, apaixonado e surpreendente
Hoje vivo na confiança de algo finito
Que parece linear e conclusivo

Não vim aqui para dizer o que sinto
Vim expressar o que eu não sigo
Relatar o que não é voce
Para não se tornar acabado
Domesticado
Afundado
E consumido
Afinal, o pra sempre é só eterno enquanto o incerto nunca descansa

4 comentários:

Laís Marinho disse...

Texto lindo!
É incrível como vc consegue expor de maneira tão limpa os teus sentimentos,as tuas perturbações.

Line Moraes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alex Ribeiro disse...

valeu lais rsrsrs

Unknown disse...

"O começo da incerteza
O principio do inesperado
A dúvida do apego era mais admiravel
E espantado, apaixonado e surpreendente"

eu detesto concordar com isso, mas acho q é exatamente isso que as pessoas estão sempre buscando mesmo!
mas a certeza de amar e se amado não fica aquém dessa paixão e desse espanto não, isso é fato!;)