...Aquela moça morena que andava por certos arredores
Passava de um jeito tão quieto que quase ninguém a notava
Até que um dia alguém chegou sem pormenores
E a fez balançar em sua eventuosa asa
Sentiu sua boca carnuda, pele macia
E depois de tanto apego, tanta caricia
Ela procurou se distanciar e viver a sua vida
Mas o destino rasgou sua teimosia
E bateu na sua porta sem medo de melancolia
Agora este homem está aqui ao seu dispor
Nesta época festiva encarnado em um pierrot
Brincando nas ladeiras de Olinda para esquecer a dor
Mas o carnaval acabou e veio aguçar seu temor
Temor por não saber se ela o ama ou o amava
Por pensar ter perdido de vez
Em qualquer esquina do Recife antigo ele a chamava
Mesmo que alguém o avisa-se que era estupidez
Ela agora é uma mulher com o mundo a abraçar
Ele com seus velhos sentimentos, medo de errar
Não se abriu a avenida, eles não vão passar
Ela se foi , ele ficou procurando um lugar
A janela não se abriu, ela não entrou
Onde será que a cortina se fechou?
Quando as cinzas do seu carnaval se aclamavam
Ele se sentiu só, mesmo quando todos agitavam
E depois de tanta história
Depois dessa longa trajetória ilusória
Ele sabe, você ta fazendo falta...
By poeta vagabundo
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